RITMO DE FESTA






Segunda noite do festival foi marcada pela fusão de ritmos e shows dançantes

O clima de festa continuou sendo a tônica da segunda noite do 10º. Lençóis Jazz e Blues Festival, na Av. Beira-Rio, em Barreirinhas – a etapa do município termina hoje (12) e o festival continua em São Luís no final de semana que vem (dias 17 e 18 de agosto).

Um bom público se fez novamente presente e prestigiou apresentações marcadas por fusão e inventividade. Não se enganem os que apostarem em qualquer dose de hermetismo: não foram poucos os que transformaram o trecho em frente ao palco literalmente em uma pista de dança, seja durante as apresentações, seja nos intervalos, quando a música continuava a partir dos vinis da dj Vanessa Serra.

O guitarrista paraense Delcley Machado abriu a noite demonstrando a força musical da terra da guitarrada. Em se tratando do instrumento, como são bem servidos nossos vizinhos. Delcley explorou a diversidade musical brasileira, sem negar as origens.

O músico teve como convidado o jovem pianista pernambucano Amaro Freitas, que aproveitou a passagem por Barreirinhas para apresentar “Trupé”, coco que estará em seu segundo disco, gravado por encomenda do selo inglês Far Out, a ser lançado este ano. “É uma grande honra estar aqui. Obrigado, Barreirinhas”, agradeceu.

No dia anterior, o americano Crystilez já chamava a atenção entre o público: alto, circulava com desenvoltura, trajando chapéu e colete, a fisionomia lembrando um jovem Jimi Hendrix. Ontem subiu ao palco acompanhado do gaitista brasiliense Pablo Fagundes.

A parceria dos dois surgiu a partir de um projeto de intercâmbio, com o Brasileiro visitando os Estados Unidos e o americano o Brasil. A química no palco é perfeita, com o beatbox de Crystilez simulando toda uma orquestra de percussão e efeitos. A determinada altura ele prendeu um derbak entre as pernas, o que lhe deu ares de tocador de tambor de crioula.

Arriscou palavras básicas em português, mas quando precisou falar mais longamente foi interpretado por Fagundes. O público repetiu refrãos em inglês e se divertiu à beça. Aliás, a comunhão entre artistas e público é outra marca desta edição comemorativa do festival. Tanto é que alguns ainda têm disposição para fazer a noite mais longa, nas jam sessions do bar Z-18, nos arredores.

Adriano Grineberg encerrou a segunda noite do 10º. Lençóis Jazz e Blues Festival com seu jazz ancorado de africanidades, o Maranhão incluído, sem oportunismo, isto é, não especificamente pelo fato de ele estar se apresentando por aqui. “Blues for Africa”, seu trabalho mais recente, é fruto de pesquisa sobre a influência da música africana ao redor do mundo e por vários gêneros, no que o Maranhão é, sem dúvida, um destaque, certamente merecendo um estudo à parte.

No caso particular de Grineberg, sua música é também um convite à dança, prontamente aceito por boa parte do público presente. Seria possível falar em final apoteótico, mas este ficou pra depois, quando a dj Vanessa Serra transformou a Beira-Rio em clube de reggae, fazendo valer a velha máxima: “tudo é jazz”.

Hoje – Hoje tem mais: na última noite da etapa Barreirinhas, se apresentam na Av. Beira-Rio, a partir das 20h15, o violonista mineiro Juarez Moreira, a violoncelista carioca Silvana Agla e o cantor maranhense Fauzi Beydon, nome internacionalmente reconhecido por seu trabalho à frente da banda de reggae Tribo de Jah, cuja incursão pelo blues é uma das apresentações mais aguardadas do festival.

Realização de Tutuca Viana Produções, o 10º. Lençóis Jazz e Blues Festival tem patrocínio da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão, e de Banco do Nordeste e Potiguar, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).


Data Publicação: 13/08/2018

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